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Entretanto, passado um mês do início das operações no terreno ainda não surgiram sinais da sua existência, embora por várias vezes isso tenha sido anunciado pelos “media” (como é o caso do nosso DN que o reportou com grande afã em grandes parangonas na sua primeira página. É claro que o desmentido surgiu alguns dias depois numa pequena notícia de uma página interior). Não deixa também de ser curiosa a alteração das razões da guerra, passando da posse de NBQ pelo Iraque para o derrube do seu regime, ou a ideia de que as NBQ teriam sido levadas para a Síria. Não se dê o facto de elas não serem encontradas de todo, o que seria um enorme escândalo. Há até quem diga, meio a sério meio a brincar, que os EUA sabem do que falam porque têm as facturas da compra de NBQ pelo Iraque. Seja como for, a verdade é que as NBQ usadas pelo Iraque contra o Irão (na altura em que este país era o grande Satã da administração Reagan) e posteriormente contra os curdos em Alabja, lhes foram fornecidas por países ocidentais, EUA inclusive. De resto, os EUA têm um longo historial na utilização de NBQ: Após a II Guerra Mundial os EUA tornaram-se detentores dos conhecimentos das experiências biológicas sobre seres humanos praticadas pela sinistra unidade japonesa 731, na China. Essas experiências (na linha do que foi feito pelo Dr. Mengele na Alemanha) comportavam a inoculação em seres humanos de agentes biológicos como a peste, o tifo, a varíola e a dissecção “in vivo” das vítimas para análise dos resultados. Documentos vindos a público passados 30 anos revelaram que não só os autores da proeza ficaram impunes como os relatos dos sobreviventes foram abafados. Durante a guerra do Vietnam os EUA levaram a cabo a operação “Ranch Land”. Esta operação consistiu em espalhar sobre uma superfície de 50.000 km² (metade da superfície de Portugal) o desfolhante químico 245-T mais conhecido por Agente Laranja e que contem na sua composição dioxinas. Estima-se que no total foram despejados cerca de 110 kg de dioxinas. Para além dos efeitos destrutivos sobre a flora, o Agente Laranja provocou um aumento exponencial no número de cancros e de malformações congénitas que ainda hoje se fazem sentir: amputações congénitas, lábios leporinos e fendas do palato e espinhas bífidas. Durante as I Guerra do Golfo, guerra da Jugoslávia e muito provavelmente na actual guerra do Iraque, os EUA e aliados utilizaram munições revestidas a urânio empobrecido (UE). O UE, U-238 é um resíduo resultante do enriquecimento do U-235, utilizado na indústria nuclear civil e militar. Calcula-se que os EUA tenham armazenadas 500.000 toneladas de UE e dadas as suas propriedades militares (muito denso e altamente perfurante), torna-se num produto barato, altamente apetecível para a indústria militar. O investigador norte-americano Dan Fahey no seu trabalho Don’t Look, Don’t Find. Gulf Veterans, the US Government and Depleted Uranium 1990-2000 refere que durante a operação Tempestade no Deserto os EUA realizaram 110.000 ataques aéreos durante os quais lançaram 940.000 projécteis com UE, e na ofensiva terrestre os carros de combate lançaram 4.000 projécteis também revestidos a UE. No total, calcula-se que existam cerca de 320 toneladas de resíduos contaminados, particularmente no sul do país. O UE pode contaminar por radiação, mas sobretudo por inalação ou ingestão, já que quando um projéctil atinge um alvo, o UE desfaz-se em forma de aerossol que se dispersa na atmosfera e no solo, podendo ainda contaminar os lençóis freáticos. Como a sua vida média é de muitos milhares de anos, ele pode permanecer na natureza mantendo por muito tempo o seu processo de contaminação da cadeia alimentar. Do ponto de vista da saúde pública o EU é particularmente tóxico e mortal. Aloja-se nos pulmões e nos rins e provoca alterações do sistema imunitário, cancro e malformações congénitas. Em 15 de Janeiro de 2001 o jornal britânico The Times trouxe a público um relatório da agência de Energia Atómica do Reino Unido que informava que a quantidade de UE utilizado na I guerra do Golfo poderia matar até 500.000 pessoas. Por outro lado a Associação Nacional de Veteranos do Golfo e seus familiares do Reino Unido calculam que cerca de 100.000 de veteranos americanos e 8.000 ingleses estejam afectados pelo chamado Síndrome da Guerra do Golfo dos quais já morreram 8.000 americanos e 521 ingleses, factos que as autoridades dos EUA, da Grã Bretanha e da Nato desmentem. Finalmente, estes factos são tanto mais preocupantes quanto se sabe que na presente guerra foram utilizadas muito mais munições de todos os tipos que na primeira guerra. É por isso que faz sentido colocar algumas reservas quanto à contabilidade de baixas civis e militares apresentadas até agora. Que resultados nos trará um eventual Síndrome da II Guerra do Golfo? Que nível de contaminação por UE se registará no Iraque para além de toda a destruição que esta guerra criminosa provocou? |
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